Virei Funcionário Púbico. E agora?
Primeiramente, preciso dizer: Nunca quis ser funcionário público. Não sei você mas sempre tive uma imagem não muito agradável sobre o funcionalismo público. O que vinha na minha cabeça era sempre de alguém sentado atrás de uma mesa de madeira escura repleta de papeis para todo lado, burocracia sem fim, processos antiquados e toda sorte de mazelas empresariais que sempre me fizeram ficar longe desse mundo. E olha onde estou hoje hehehehe. A conhecida frase "o mundo dá voltas" nunca fez tanto sentido pra mim como no dia em que recebi a carta de convocação.
Tenho certeza que a minha experiência poderá ajudar muitas pessoas que pretendem fazer essa transição e encarar uma nova forma de trabalho, num outro ritmo, numa nova perspectiva de gestão, de relações humanas, de perspectiva de carreira. Pretendo analisar os pontos negativos e positivos de ser um funcionário público numa visão bem particular mas que será contextualizada de forma bem geral para que o maior número de pessoas possam aproveitar todo aprendizado que venho acumulando desde o tempo de faculdade, dos primeiros passos como estagiário e membro de empresa Junior até assumir minha atual função.
Estudei Administração numa boa Universidade Federal, sempre fui atraído pelo dinamismo e pelo ambiente desafiador das empresas privadas. A correria, a pressão, a competição, a agilidade sempre foram pra mim motivos de grande motivação. Na minha carreira tive oportunidade de trabalhar em grandes empresas dos mais variados setores: Veículos de comunicação, varejo, Indústria, Bancos e outros. Mas em 2007, por pressão familiar, resolvi fazer um concurso de forma muito despretensiosa e acabei sendo convocado em 2010. Hoje trabalho numa grande empresa de economia mista do Governo Federal e é ela que vai me dar inspiração para todas as postagens deste Blog.
Minha relação com concursos públicos sempre foi um tanto quanto conturbada. Por ter familiares que vivam muito bem por serem concursados, meus pais sempre fizeram muita pressão para que eu seguisse o mesmo caminho, sempre enfatizando uma palavrinha que todo mundo ouve: ESTABILIDADE. Pois bem, chegou uma hora que cansei de ir de encontro a eles. e volta e meia fazia um concurso aqui e outro ali, apenas pra mostrar que sou um bom filho e escuto os conselhos dos pais (na verdade foi só uma estratégia para eles ficarem feliz e eu me ver livre de conflitos desnecessários). Ia fazer as provas quase sem estudar nada. Digo quase pois eles precisavam ver que eu estava estudando, então fazia o mínimo para ter um pouco de paz. Até que em 2007, mais uma vez sem estudar, fui fazer mais um concurso. É preciso dizer que sempre frequentei boas escolas particulares e sempre gostei muito de estudar. Nunca fui o melhor aluno da sala, mas tenho certeza que aprendia muito mais do que aqueles que decoravam os livros e tiravam nota 10 frequentemente, demonstrando, não inteligência, mas uma habilidade de decorar e reproduzir textos acima da média. Essa é uma habilidade que nunca procurei seguir. Me interessava mesmo era pelo conhecimento em si, pelas novidades pelo novo mundo que se descortinava a cada conceito, a cada nova lição. Adorava "discutir" com os professores. Era muito questionador, consequência da minha curiosidade por vezes irritante, confesso. Na sala de aula prestava muita atenção em tudo, até hoje me lembro de frases importantes ditas por alguns dos meus professores. Mas fazia isso por uma razão simples. Nunca fui de estudar em casa, a não ser em véspera de provas. Logo, na hora da aula, atenção máxima, mas saindo dela, eu queria mais era me divertir. Jogar bola, brincar com os amigos, aproveitar a vida. Assim, nos concursos, sempre fui muito bem matérias como português, matemática e inglês e posteriormente, em matérias mais específicas relacionadas ao meu curso de Administração.
Voltando ao assunto, fiz um concurso em 2007 e para alegria dos meus pais fiquei bem classificado. Eles se encheram de orgulho e de esperança em minha convocação. Já eu, não estava ligando muito pra isso. No ano em que fui convocado eu trabalhava num grande Banco. Estava fazendo um programa de formação de novos gerentes que tinha duração de 01 ano envolvia uma carga intensa de treinamentos na sede da empresa em São Paulo e treinamentos práticos (on the job) na agência onde fui alocado. Tinha minha carteira de clientes (empresas) e uma perspectiva de carreira muito interessante. Até que um dia, ao chegar em casa, recebi uma correspondência estranha. Um grande envelope branco com o nome de uma empresa impresso em uma das laterais. De cara já entendia o que ele queria dizer e fiquei um tanto nervoso com a possibilidade de tudo o que estava por vir. Levei o envelope para casa, fiquei olhando para ele alguns minutos quando decidi abri-lo. É.....estava feito...virei funcionário público. E agora??, pensei. Passei alguns digerindo aquela ideia. Tantos projetos em andamento, tanta coisa bacana que eu iria me envolver no Banco, tento investimento que fizeram em mim, tantos planos...... Enfim. Comecei a pesquisar. Comecei a ler sobre a empresa que estava me convocando, conversei com alguns colegas de trabalho, os mais próximos. E foi interessante, todos eles perguntavam de imediato: "No que você ainda está pensando?? Vaí lá!!!" A maioria deles eram bem mais velhos que eu, mais experientes, mais rodados. Hoje, penso se eles estavam mesmo preocupados no meu futuro profissional ou se me achavam uma ameaça ao futuro deles. No dia seguinte dei a notícia a minha família e foi aquela festa. Tanta que nem encontrei espaço para expressar minha dúvida em aceitar ou não o novo emprego. Então dei uma lida mais cuidadosa na carta e comecei a me preparar para cumprir cada item da extensa lista de procedimentos para admissão.
A partir daí, muitas histórias serão compartilhadas com vocês. Espero que gostem e comentem.
“Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim.”
―Chico Xavier
Um abraço a todos
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