Como é ser Funcionário Público?

Esse blog tem uma nobre missão. Ajudar a todos aqueles que projetaram uma brilhante carreira na iniciativa privada e hoje pensam em fazer um concurso ou entraram recentemente no mundo do funcionalismo público.

Todas e Todos

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 Quem viveu a época do governo José Sarney lembra bem que seus discursos eram sempre iniciados com um sonoro "Brasileiros e Brasileiras....". Sem entrar no mérito gramatical, hoje, depois de ter virado Funcionário Público, é que entendo um pouco mais o motivo dessa expressão. Não que concorde completamente. Confesso que ainda me incomoda um poco ouvir essa tipo de coisa mas até que existe um conceito interessante por trás disso. Trata-se das chamadas "políticas afirmativas", no caso, promovendo a Equidade de Gênero. Sabemos que muitos traços de uma sociedade machista que imperou durante muitos anos no Brasil (e no mundo) ainda estão muito presentes na sociedade atual e que estamos um pouco distantes do mundo ideal, do mundo de iguais condições entre Homens e Mulheres. Tudo bem que alguns avanços são notórios mas ainda é pouco. Nesse contexto, dentro das empresas públicas, escutamos muito a expressão "Todas e Todos". Algo tipo: "...Agradecemos a valiosa colaboração de Todas e Todos..."  ou mesmo num: "Bom dia a Todas e Todos". É estranho, não? Leva um tempo para se acostumar com isso. Perceba que, os mais "radicais" sempre colocamo "TodAs" na frente. Com isso, os defensores da prática, dizem que se confere tratamento mais respeitoso à presença feminina numa plateia, por exemplo. Dizem ainda que o uso apenas do masculino no plural é mais uma forma de reforçar a dominação de um gênero sobre outro e que isso deve ser combatido de todas as formas. E você concorda com isso? Eu acho interessante em termos de conceito mas, o mais importante é que esse tipo de expressão saia dos discursos e invadam a prática, o dia a dia das empresas publicas. Não posso generalizar, mas escuto diversos discursos cheios de "todas e todos"  proferidos por pessoas que cujas atitudes são bem controversas. 
    Essas práticas ficaram ainda mais evidentes (e polêmicas) depois que a os rumos do país começaram a ser ditados por uma mulher que pediu para que se referissem a ela como PresidentA. Aí foi que uma avalache de críticas rondou as redes sociais. É certo? É errado? o que escrever numa prova de Concurso, por exemplo? Dentre tantas matérias a respeito disso, clique aqui para ler um texto publicado pela revista Exame que esclarece o caso.

Um abraço!

FP

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Estabilidade que Liberta

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Já andei comentando que a busca pela estabilidade é um dos maiores objetivos de quem quer ser um Funcionário Público. Por lei, a estabilidade só é conferida aqueles que cuja relação de emprego é regida por um estatuto próprio. São os chamados Estatutários. Quem tem seu contrato regido pela Consolidação das Leis do Trabalho, CLT, o Celetistas, ficam sujeitos as mesmas normas das empresas privadas. Não existe aí o direito à establilidade. Porém, na prática, pelo menos onde eu trabalho, existe uma cultura da não-demissão. Porém, em casos extremos, onde o empregado seja indiciado por corrupção, desvio de dinheiro ou lesão corporal, par citar alguns exemplos, aí a possibilidade de demissão existe. Fora isso, só se o próprio empregado pedir o desligamento ou se vier a falecer (fato comum em empresas grandes onde a média de idade é alta). 
    E por que, para mim, a estabilidade é libertadora? Quem leu meus posts anteriores sabe que trabalhei em várias empresas privadas em diferentes setores. E agora estou na minha primeira experiência na área pública. Uma coisa que eu percebo é que, se bem utilizada, a Estabilidade pode libertar seus instintos mais ousados, mais criativos. Quando o medo da demissão não existe, você (pelo menos eu sou assim) se sente mais solto, mais arrojado, certo de que se errar, não vai estar sujeito à pena máxima do mundo corporativo. E aí você pode perguntar: Exite espaço para tanta criatividade e ousadia num empresa pública? Eu tenho visto que sim. Mas vá com calma!!!. É comum a gente entrar já querendo revolucionar, mudar processos, inovar mas precisamos entender que a cultura é outra, o ritmo é outro. É preciso antes observar o ambiente e entender as regras do jogo, ler os normativos vigentes, traçar o perfil da sua hierarquia, escutar as histórias de quem chegou lá antes de você. Feito isso, vá em frente!!!. Mas ainda mantenha a calma (rs). Há sim aqueles processos que são regidos por leis maiores e que precisam ser observadas. Aí não adianta, por mais que você não concorde com elas, é preciso obedecê-las. Porém, você vai encontrar diversos processos internos que podem ser re-avaliados, redesenhados, refeitos. Por mais chatas e operacionais que sejam suas primeiras tarefas, sempre há uma forma de torná-las mais interessantes. E neste trabalho você precisa desenvolver a habilidade de Articulação e Relacionamento, ou seja, conversar com diferentes pessoas, de diferentes áreas para expor novas ideias e fazer com que todos possam contribuir para a melhoria pretendida por você. É hora de levantar da cadeira ir atras de todos aqueles que podem influenciar positiva o negativamente as suas intenções. Nessa hora é preciso ter Humildade. Apresente suas ideias mas dedique um tempo maior para escutar e aprender. Faça com que as pessoas percebam que você quer ajudá-las, e não impor algo só porque você acha que é melhor. Lembre-se que, provavelmente, você vai encontrar com a pessoa que criou o processo que você está querendo mudar. É como se você estivesse dizendo que o filho dele é feio ( heehe) e que você quer mudar isso. Já pensou? E se for seu primeiro contato com essa pessoa, você ficará marcado por um bom tempo. 
    A verdade é que vale muito a pena tentar. É muito gratificante propor uma ideia, convencer pessoas a embarcar nela, implantá-la e ver os resultados acontecerem. E se tudo der errado (mas mantendo o bom relacionamento com as pessoas), fique tranquilo, afinal,  você não será demitido por isso. É só começar de novo.

    "É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota."

    Uma braço a todas e todos

    FP


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Uma verdade bem pertinente

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Recebi agora a pouco pelo Facebook a imagem ao lado e achei muito pertinente pra nossa conversa aqui.
"Pé que dá fruta é o que mais leva pedrada". Essa frase me faz pensar no meu dia a dia de trabalho da seguinte forma: No post anterior eu comentei sobre a imagem (um tanto quanto preconceituosa) que tinha sobre o funcionalismo publico. Pois bem, uma vez fazendo parte dele e podendo observar com meus próprios olhos o que acontece, eu posso admitir que eu estava errado. Mas nem tanto. Aqui tem gente pra todo gosto, de todos os perfis possíveis. Se fosse uma floresta e cada pessoa fosse um animal e cada perfil fosse uma espécie diferente, a biodiversidade daqui seria de dar inveja à Amazônia. Há inclusive algumas espécies que deveriam ser estudadas pela Ciência Administrativa. Logo, há aqueles que fazem valer tudo o que falam por aí sobre "FP" (não me entendam mal hein, Funcionário Público) e outros que são aqueles que qualquer empresa privada gostaria de ter. E você? qual o seu perfil? Mas antes de responder pense bem. Já ouvi muitos depoimentos de pessoas que entraram na empresa dando tudo de si. Empenhados, comprometidos, responsáveis, guerreiros mas que hoje simplesmente cansaram. Cansaram de serem tudo isso e perceber que nada adianta você ser um excelente empregado se o que faz a diferença, em muitos casos (mas não todos) é um vinculo político, é a indicação de um amigo, uma troca de favores, até um relacionamento amoroso secreto. É muito triste ver pessoas jovens com esse tipo de raciocínio. Mas fazer o que não é mesmo?. Eu não cheguei ainda nessa fase e espero aguentar firme produzindo de acordo com meus princípios de eficiência e qualidade. Não tem nem como recriminar essas pessoas que acabam partindo para o outro lado, chegando no horário certo. Saindo exatamente no horário previsto em contrato de trabalho. Fazendo o mínimo necessário. Se esquivando de novas responsabilidades.  Pra que fazer mais? 
     Aí vem algo muito particular do perfil de cada um. Acredito que o trabalho é fonte de grande satisfação pessoal, de aprendizado, de desafios. Por mais simples que seja a função em si, acredito que sempre há alguma maneira de tornar seu trabalho mais instigante, mais criativo, mais motivador. Analisar processos e poder influenciar sua melhoria é muito bom. Deixar sua marca. Perceber o quanto você contribui para o resultado final. Exercitar a mente pensando em alternativa sempre mais eficientes, mais ágeis, mais seguras e se perceber como uma peça chave para a empresa. É muito bom, na minha particular opinião.
    Mas tudo isso tem um preço. Afinal "Pé que dá fruta é o que mais leva pedrada". Tenha certeza, quanto mais coisa você fizer, mais trabalho vai chegar para você fazer. E aí você, que é comprometido, vai se desdobrar para entregar as coisas no prazo correto. E mais coisa será entregue em suas mãos. Aí você vai conversar com seu gerente pra dizer que está sobrecarregado e escuta:  - Para quem mais eu vou passar o trabalho se as outras pessoas não me entregam o resultado esperado?. Daí chega um determinado dia em que você olha pra toda papelada na mesa, todos os projetos em andamento em seu Follow up (sim, você têm um Follow up!!) e olha para o colega que está do seu lado e vê a seguinte cena: ele de fones de ouvido, com os pés fora dos sapatos, e na tela do seu computador nada mais nada menos que "Candy Crush". Sim sim, aquele joguinho irritante que foi sucesso nas redes sociais. Olha pro outro lado ver uma colega quase deitada na cadeira tirando aquele cochilo no meio da tarde (e ai de você se fizer algum barulho). Mais a frente um outro colega navegando num site especializado em carros. E ele não está querendo comprar e nem vender, ele simplesmente é o dono do site. É o webmaster, o designer, o programador. Ou seja ele tem outra empresa alí mesmo. Então um belo dia, você fica sabendo que haverá uma reestuturação na sua área. Um novo gerente será escolhido. E quem assumirá a função? Você e todo seu empenho? o atleta do Candy Crush? a dorminhoca? ou o webdesigner?. Aí vem a resposta: nenhum deles. A escolhido foi um empregado recém-contratado de outra área cujo pai foi Deputado Federal e é amigo do atual Diretor Administrativo. Alguém sem experiência e sem competência mas que tem o principal: Pedegree. E aí? vai continuar se matando de trabalhar? até quando? Vai continuar a dar frutos? Quantas pedradas  você ainda aguenta?
    O caso acima é apenas ilustrativo mas acontece de mais em empresas públicas. E na minha não é diferente. A questão é que temos que encontrar motivação para ir em frente. para continuar dando nosso melhor. Para não nos deixar engolir pelo ambiente. É difícil, é trabalhosos, é estressante, mas pelo menos nos meu caso, tenho conseguido comemorar cada pequena vitória. Tenho conseguido dormir à noite com o sentimento de dever cumprido, de satisfação. E por se sentir cada vez mais preparado para fazer mais e melhor.
       Para você que tem esse perfil, nunca deixe de dar frutos, nunca deixe de se expor, de assumir novos desafios, de entrar em novos projetos. Isso é o que dá vida à sua vida profissional. Mas sempre faça um exercício de auto-avaliação, não abra mão de sua vida particular, de sua família, de seu lazer, de cuidar de sua saúde e do seu espírito. Recolha as pedras e, aos poucos, vá construindo algo do qual todos, inclusive você, possam se orgulhar no futuro. 

Um abraço e até a próxima

FP
      

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